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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Mais prudência, companheiros

A visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Acre nesta quarta-feira (6) para participar de compromissos oficiais do governo do Estado caminha para ser mais um ato eleitoreiro comandado pela cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT). Pelo menos este já é o clima perceptível nas redes sociais, com a militância petista sendo mobilizada e convocada para mostrar todo o seu apoio ao “grande líder”.

Lula vem ao Acre para inaugurar, mais uma vez, o complexo de piscicultura financiado com recursos públicos. Ano passado o ex-presidente já tinha vindo cumprir a mesma agenda. Além deste empreendimento, ele vai entregar, junto com o governador Tião Viana (PT), o primeiro call-center do Estado, com a promessa de gerar mais de 3.000 postos de trabalho.

O evento desta quarta exigirá do Palácio Rio Branco o mínimo de liturgia na separação entre os interesses do Estado e do partido. Afinal, mesmo com o restrito apoio da iniciativa privada, o poder público –por meio de recursos do contribuinte – é o maior fomentador destes projetos, e é de se esperar que o evento não se transforme em mais um palanque eleitoral avermelhado.

Não há muitas perspectivas de que esta separação Estado-partido ocorra diante do histórico no governo Tião Viana, cujo próprio gabinete da Casa Civil vem se transformando numa espécie de extensão do diretório petista. A visita da presidente Dilma Rousseff em março também é de se exemplificar esta simbiose nada salutar em um regime republicano.

Toda uma estrutura foi montada para mobilizar servidores públicos para ovacionarem Dilma em entrega de casas na Cidade do Povo, quando ela recebia vaiais em qualquer outra cidade do País. No atual momento de crise pela qual passa o PT, será quase inevitável que a militância use a visita do ex-presidente como uma necessidade de afirmação.

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